Correndo no Grand Canyon – parte 3

O ponto final da travessia não era na face que estávamos subindo, mas na face oposta. A trilha subia a primeira face apenas para contorná-la e, em seguida, descia para alcançar uma ponte suspensa no vazio, ligando à outra face. Agora sim, seria preciso subir tudo novamente. Era necessária muita força psicológica para suportar aquilo.

Depois desse contratempo, a subida passou a ser realmente contínua. Nada mais de descidas ou trechos planos para descanso. A inclinação aumentou muito, acentuando a sensação de peso da mochila (lembra das componentes X e Y nas aulas de física?).

Finalmente, quando parecia que só terminaríamos a trilha no céu, ouvimos as vozes de Odette e Scott, nossa equipe de apoio. Pronto! Chegamos! Eles estão nos esperando no final da trilha… Doce ilusão. Preocupados com o desafio inusitado que assumimos, e sem saber exatamente quanto tempo levaríamos, começaram a descer para nos encontrar. Assim, a sensação antecipada de concluir o desafio foi adiada por mais 45 intermináveis minutos, até finalmente chegarmos ao topo da North Kaibab. O cronômetro marcava 9h52 e o monitor cardíaco registrava um gasto de 6.800 kcal. Estávamos a 2.515 m de altitude e havíamos percorrido 33,6 km de trilhas por lugares surpreendentemente lindos e inesquecíveis. Agora era descansar de mais este desafio e pensar na ideia que Cathy e eu tivemos durante a descida: uma aventura no Alasca.

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