Correndo na Floresta da Tijuca – parte 3

Em poucos minutos de corrida, aparece o desvio para uma rápida subida ao Morro do Archer (altitude 817m), voltando em seguida para a trilha principal, que nos levaria, através da Gruta do Navio e da Gruta do Papagaio, até a bifurcação (altitude 860m) que aponta para as duas mais desgastantes subidas de toda a Trilha Externa: o Bico do Papagaio (altitude 989m) e o Morro da Cocanha (altitude 975m). O curioso é que, justamente nesse trecho entre o Bom Retiro e a bifurcação, o percurso é surpreendentemente plano (guardadas as devidas proporções), o que nos deu condições de correr contra o relógio, compensando a baixa velocidade em algumas subidas mais íngremes.

Quem conhece a subida do Bico do Papagaio sabe que é tecnicamente quase impossível subir correndo, dada a quantidade de “escalaminhadas” até o cume. A chegada foi acompanhada de algumas fotografias de uma esplendorosa vista e vários goles d’água, tudo isso como justificativa para um pequeno descanso.

A descida, cansativa para quem já estava em atividade de alta intensidade há algumas horas, terminava exatamente na base do Morro da Cocanha, e é definida como “íngreme e escorregadia”, termo usado no perfil esquemático oficial da Trilha Externa Major Archer, feito pelo topógrafo do IPP, Denis Leite Gahyva, provavelmente uma das pessoas com maior conhecimento da região.

A chegada ao cume ofereceu-nos na outra face um “trecho muito íngreme e escorregadio” ― novamente conforme o mesmo perfil esquemático ―, que descia violentamente até a cota de 731m, no Platô do Céu. Isso forçou bastante nossos já doloridos joelhos durante toda a descida.

Mal descansamos alguns minutos correndo horizontalmente e já estávamos subindo um novo trecho íngreme que nos levava à bifurcação (altitude 800m) entre o Castelo da Taquara (altitude 736m), que nos obrigou a descer e retornar, e o Morro da Taquara (altitude 811m), um pouco mais perto da bifurcação. Neste ponto, em que o relógio marcava 13h02, fizemos uma pequena parada, o suficiente para comer nosso famoso e já consagrado pelo uso macarrão com alho e óleo.

A descida pelo Caminho do Sertão nos proporcionou um novo trecho de corrida fluida e acelerada para que recuperássemos o tempo perdido nos trechos mais difíceis, chegando finalmente, após passarmos pela Ponta da Cova da Onça (altitude 482m), ao final do trecho referente ao Terceiro Dia da Trilha Externa.

O relógio indicava 14h16, mostrando que já corríamos há sete horas e nove minutos. A alegria começava a tomar conta da gente, visto que a pior parte já havia acontecido, restando o trecho mais fácil e tranquilo de toda a Trilha Externa.

Depois do terceiro sanduíche de queijo e mais algumas castanhas, iniciamos o trecho referente ao Quarto Dia, partindo para o Alto do Mayrink (altitude 525m), Morro do Almeida (altitude 535m), descendo em seguida para o Alto do Cruzeiro (altitude 505m), Picadeiro (altitude 425m) e chegando ao Museu do Açude, na cota 400m.

A partir dali, iniciou-se uma subida um tanto íngreme até o Alto dos Fernandes (altitude 522m), seguida de alguns “sobe-e-desce” até o Morro do Visconde (altitude 517m), com um pequeno desvio até o Mirante da Cascatinha (altitude 510m). Naquele ponto, já podíamos comemorar o término do desafio, pois, apesar da “descida íngreme e escorregadia”, conforme marcado no mapa pelo topógrafo Denis Gahyva, não havia mais nenhuma subida até o término do trecho referente ao Quarto Dia da Trilha Externa Major Archer. oito horas e sete minutos depois, exatamente às 15h14, chegamos ao mesmo ponto de onde havíamos partido. E quem nos conhece o suficiente pode deduzir que, durante a última hora de corrida, nos trechos em que a frequência cardíaca nos deixava fôlego para conversar, já surgiam os planos para nosso próximo desafio…

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