Correndo no Deserto de Mojave – parte 7

Alguns minutos, um gel de carboidrato e outros goles de água depois, fiz meia volta e retornei a corrida no leito, na tentativa de encontrar o ponto em que comecei a usá-lo como referência. E esta volta, agora, parecia bem mais longa e trabalhosa do que a ida. No mínimo, devido ao leve aclive que possuía no sentido que agora seguia. Talvez, também, as posições das pedras que era obrigado a pular favorecessem mais o caminho em um sentido do que em outro. Seja qual for a explicação ― se houver ―, o que me preocupava naquele momento era a atenção que deveria ter para perceber o local em que eu havia entrado no leito seco.

Cerca de uma hora depois, “bingo”, encontrei o ponto.

O próximo passo seria retornar ao percurso correto.

Neste momento, olhando o cronômetro que indicava oito horas e trinta e seis minutos de atividade contínua, entrecortada apenas por pequenas paradas de orientação ou para comer batatas fritas, considerei como tendo cumprido minha meta: ser o primeiro brasileiro a correr no Deserto de Mojave.

Optei, então, por terminar o desafio ali, passando a caminhar. Eu visava poupar a energia que seria importantíssima de agora em diante.

Restava-me pouco mais de duas horas de claridade solar e a mochila estava mais leve do que devia. Eu não carregava, naquele instante, mais do que meio litro de isotônico, além de uma ou duas barras energéticas. Afinal, já deveria ter encontrado meu Apoio há muito tempo ― mais de quatro horas antes ―, se não fosse este “pequeno” contratempo. E começava a me imaginar degustando um maravilhoso sanduíche de queijo que estaria me aguardando no ponto de encontro.

Continuei procurando a trilha. Em poucos minutos de caminhada encontrei uma área toda remexida, com muitas pegadas. Porém, não eram marcas humanas, mas de coiotes, que existem aos montes nesta região. Tentei segui-las. Porém, poucos metros depois, ela terminava abruptamente. Continuei à procura de outra, paralela a esta, que eu imaginava ser na direção correta. Rapidamente me deparei com a próxima. Parecia ter mais vestígios de pegadas do que a primeira. Mesmo assim, a trilhei por algum tempo.

Novamente, ela terminava em um paredão de arbustos hostis, que nesta área era abundante. Mais até do que deveria… A quantidade de arranhões que cruzavam minhas pernas seria motivo suficiente na minha desclassificação em concursos de beleza.

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