No meio da tarde chegamos à Praia do Aventureiro. Um sanduíche e um chocolate nos deram energia para enfrentar uma das subidas mais íngremes do percurso, rumo a Provetá. Lá, fomos direto a uma pequena padaria e nos fartamos. Teve até sorvete caseiro!
Tentando tirar o atraso dessa parada, voltamos a correr em um ritmo forte, mantendo uma velocidade estável até mesmo nas subidas.
Estávamos em uma das pequenas vilas de pescadores que existem ao redor da ilha quando bateu 19h15 e o sol, que já havia se posto há alguns minutos, deixou de iluminar as trilhas.
Com lanternas presas à cabeça, continuamos correndo até que, perto de 19h40, um temporal fortíssimo desabou sobre a ilha.
Às 22h, com a intensidade da chuva exatamente igual, apesar de já terem passado mais de duas horas, não conseguíamos correr sem escorregar nas descidas íngremes e lamacentas. Essa situação se estendeu até 0h30, quando nos protegemos na varanda de uma escola local.
Ironicamente, cerca de quinze minutos após nos abrigarmos, a chuva praticamente cessou.
Voltamos à corrida sem mais pausas importantes, até chegarmos ao Saco do Céu, pouco depois das 5h, com o sol insistindo em aparecer novamente. Este lindo trecho do percurso, valorizado pelos primeiros brilhos do sol, foi percorrido alternando corrida e caminhada, pois toda nossa musculatura dava sinais de esgotamento extremo.
Nesse trecho, por longos minutos, nos ocorreu quase simultaneamente algo que nunca havíamos sentido: sonhamos de olhos abertos, correndo!
Algum tempo depois, ainda brigando contra o sono, conscientes das dores em cada músculo e articulação, passamos pelo Aqueduto. Em minutos, avistamos nosso ponto de chegada ao longe, renovando uma energia inesperada para voltarmos a correr em um ritmo triunfante.
Empolgados com esta visão, demoramos a perceber que erramos o cálculo da distância final. Havia uma longa curva disfarçada pela paisagem, o que aumentou bastante a distância que ainda faltava. Isto nos forçou a manter o ritmo por mais tempo do que imaginávamos.
Finalmente, às 7h51 ― exatamente vinte e cinco horas e quarenta e um minutos depois, chegamos em frente ao ponto de onde havíamos partido na véspera.
Mais uma vitória sobre nós mesmos e nossas limitações!
Comemoramos com dois sanduíches enormes e leite na padaria mais próxima, seguidos de um sono pesado até o meio da tarde. Acordamos já pensando no próximo desafio…