Em seguida, voltamos a correr, atentos à hidratação com água ou isotônico a cada dez minutos ― religiosamente lembrados pelos cronômetros. Também tomamos guaraná em pó, ginseng, BCAA, ginkgo biloba e lecitina de soja, segundo orientação da nossa nutricionista, Christiane Rodrigues.
Nossa primeira parada foi perto das 11h, ao chegarmos em Dois Rios, após passarmos quase que tranquilamente pelo trecho que tanto nos preocupava. A dica de um veterano caminhante local, recebida na véspera, foi fundamental: “em todas as bifurcações, escolha a trilha da direita”.
Comemos então nosso primeiro sanduíche de queijo e fizemos alguns exercícios de alongamento.
Às 12h41, ao chegarmos em Parnaioca, presenciamos uma cobra almoçando um sapo. Aproveitamos a cena como pretexto para descansar três minutos, observando e fotografando a rudeza da natureza.
Prosseguimos.
Os cenários revezavam-se entre montanhas e praias, praias e montanhas, sem fim. Em uma dessas trilhas cruzamos por dois caminhantes ― um deles, aliás, era o ultra-trekkista Fabio Galvão ― que nos alertaram sobre fiscais do Ibama no início da Reserva Biológica, restringindo-a.
Sem saber se conseguiríamos atravessar a área, mesmo sem barraca ou equipamento de acampamento, torcemos para que os fiscais subissem no helicóptero e fossem almoçar. E não é que deu certo? Quando estávamos exatamente no ponto em que seríamos vistos se passássemos — ou perderíamos tempo se parássemos —, eles levantaram voo. Esse foi mais um motivo para acelerarmos nossa velocidade e cruzarmos toda a Reserva Biológica o mais rápido possível.
Perto das 14h, chegamos ao mangue que separa a Praia do Leste da Praia do Sul, ainda dentro da Reserva. A água estava completamente turva e não tínhamos possibilidade de cruzá-lo calçados, ou poderíamos sofrer com bolhas ao calçar tênis molhados por horas, apesar do risco de furar o pé e comprometer o projeto. Felizmente, nada aconteceu. Cerca de vinte minutos depois, já estávamos correndo sobre uma areia surpreendentemente macia.
Chegando ao final da Praia do Sul, outro limite da Reserva Biológica, encontramos mais fiscais do Ibama que esclareceram nossa falsa ideia de que seríamos impedidos, mesmo sem acampar.
Continuamos, agora tranquilos.